68º Congresso Brasileiro de Coloproctologia

Página Inicial » Inscrições Científicas » Trabalhos

Dados do Trabalho


Título

RELATO DE CASO: FISTULA ENTERO-VESICAL COMO COMPLICAÇAO DE DOENÇA DE CROHN EM ATIVIDADE.

Objetivo(s)

Relatar um caso de fístula entero-vesical (FEV) como complicação de doença de Crohn em um serviço de referência de Itajaí – SC.

Descrição do caso

F.C.D.J., 33 anos, masculino. Diagnosticado com doença de Crohn há 8 anos, com má aderência ao tratamento. Atendido no ambulatório de doenças inflamatórias intestinais (DII), referiu surgimento de dor abdominal difusa com início há 3 meses, de forte intensidade, apresentando piora nos últimos dias e sem alívio com uso de analgésicos. Nega náuseas ou vômitos. Queixa-se de perda ponderal de 30 kg em 3 meses, associados a inapetência, disúria e poliúria. Nega tabagismo ou etilismo. Ao exame físico: Regular estado geral, prostrado, desidratado e emagrecido. Abdome plano e flácido, com desconforto à palpação difusa, principalmente em quadrante inferior direito. Submetido à tomografia computadorizada (TC) de abdome, a qual evidenciou presença de fístula perianal, interesfincteriana, simples, com origem às 2/3hs e exteriorização no sulco interglúteo. Enterorressonância magnética concluiu DII ativa em íleo distal e terminal, bem como presença de fístula em alça do íleo distal localizada na pequena pelve, drenando para tecido de aspecto inflamatório/coleção com focos gasosos de permeio, medindo cerca de 7,1 x 5,6 x 6,5 cm (volume estimado 135 ml), que determina estenose e dilatação do ureter direito. A coleção apresenta também aderência com a bexiga, determinando fístula na parede posterior à direita, assim como no reto, à 14 cm da margem anal. Ainda, evidenciou-se ureterohidronefrose à direita. Raio X de tórax sem alterações. Paciente encaminhado ao hospital para tratamento cirúrgico.

Discussão e Conclusão(ões)

As fístulas entero-vesicais são complicações raras da doença de Crohn (DC), possuindo incidência estimada em 2%. Acometem predominantemente o sexo masculino, 75% dos casos, e o quadro clínico cursa com sintomas de pneumatúria, fecalúria e sinais de infecção urinária. A TC é o método de escolha para revelar tais complicações urológicas. O tratamento é realizado com intervenção cirúrgica, preferencialmente, por via laparoscópica. A evolução costuma ser favorável e acompanhada de remissão da doença.
A fístula entero-vesical, apesar de rara em pacientes com DC, é uma complicação que requer diagnóstico e terapia imediata. A abordagem cirúrgica se faz necessária, com posterior controle clínico medicamentoso. A cirurgia ajuda a combater as consequências do trato urinário séptico, induz a remissão sustentada da DII e possui taxas extremamente baixas de recorrência. Portanto, frente a um paciente com tais complicações o tratamento cirúrgico deverá ser sempre considerado em associação ao medicamentoso.

Área

Doenças Inflamatórias Intestinais

Autores

Bárbara Tortato Piasecki, Bruno Lorenzo Scolaro, Bárbara Wiese, Gabriela Aparecida Schiefler Gazzoni, Everson Fernando Malluta, Munique Kurtz Mello, Matheus Copi Kimura, Olga Werlang Muniz