68º Congresso Brasileiro de Coloproctologia

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Dados do Trabalho


Título

LINFOMA RETAL PRIMÁRIO EM PACIENTE PORTADOR DE HIV: RELATO DE CASO

Objetivo(s)

Relatar um caso de linfoma retal primário em paciente portador do vírus HIV

Comentar acerca da abordagem terapêutica utilizada

Descrição do caso

Em março de 2014, R.N.D.S, 49 anos, sexo masculino, HIV-positivo, foi admitido no serviço médico com quadro de sangramento retal, constipação e massa na região perianal. O paciente se apresentou com uma extensa lesão exposta, de bordas irregulares na região anal e um aumento na região cranioencefálica. Fez TC abdominopélvica, que identificou uma lesão expansiva e infiltrativa com grande componente exofítico. Medidas lesionais: 11,3 x 10 x 11cm (AP x L x TR), envolvendo a parede posterior do reto baixo, o canal anal e partes moles adjacentes ao sulco interglúteo (fossas isquiarretais direitas e esquerda) compatíveis com neoplasia. Linfonodos inguinais bilaterais com dimensões normais, porém aumentados em número. Próstata e sigmoide preservados. A TC de crânio evidenciou a presença de uma lesão expansiva e infiltrativa de medidas: 6,8 x 10,2 x 9,7cm (L x AP x TR) acometendo partes moles, calota craniana e lobos frontal, parietal e foice cerebral à esquerda, com pequena extensão contralateral, sendo o aspecto compatível com neoplasia por implante hematogênico secundário. A radiografia evidenciou a presença de espondilose torácica. O resultado imunohistoquímico e anatomopatológico evidenciou um Linfoma de células T de alto grau, composto por células linfoides médias e grandes de um Linfoma não-Hodgkin. Paciente portador do vírus HIV e em HAART foi submetido ao tratamento quimioterápico em oito sessões, no esquema CHOP (ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona) e apresentou significativa redução da massa tumoral nas duas primeiras sessões.

Discussão e Conclusão(ões)

O linfoma retal primário é uma apresentação de linfoma não-Hodgkin muito rara na população geral (0,1% a 0,5% de todos os tumores malignos de cólon e reto). O paciente geralmente procura quando percebe sintomas como sangramento retal e alterações no padrão de defecação, semelhante ao carcinoma retal primário. Observou-se que existe uma prevalência do LNH de alto grau em indivíduos com inflamação intestinal e imunossuprimidos, tanto pela presença do vírus HIV, como pela realização de transplante. Segundo a literatura atual, a abordagem é variada e pode ser cirúrgica, bem como exclusivamente quimioterápica e radioterápica, portanto permanece incerta e requer discussão caso a caso, já que a ressecção do reto possui elevada morbidade e, geralmente, é feita em casos de pior prognóstico. Assim, o tratamento quimioterápico em paciente com linfoma não Hodgkin retal apresentou boa eficácia e não houve necessidade do tratamento cirúrgico, geralmente reservado para casos mais complicados e de falha ao tratamento clínico.

Área

Doenças malignas e pré-malignas dos cólons, reto e ânus

Autores

Guilherme Nunes Miranda, Arthur Augusto Siqueira Carvalho, Maxwell da Costa Reis, Bruna Benigna Sales Armstrong, Vinicius Araújo Vale, Edilson Carvalho Sousa Junior, Raimundo José Cunha Araujo Junior