68º Congresso Brasileiro de Coloproctologia

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Dados do Trabalho


Título

SINDROME DE OGILVIE APOS FISTULECTOMIA

Objetivo(s)

Apresentar caso de Síndrome de Olgivie pós-cirurgia de fistulectomia recente.

Descrição do caso

JJN, 54 anos, casado, HAS e hipotireoideo. Terceiro dia após fistulectomia com setor sem intercorrências foi novamente admitido com histórico de dor abdominal difusa do tipo cólica, de forte intensidade, associada de distensão. Negou episódios de náuseas ou vômitos. Apresentava hiporexia além de febre iniciada no dia do internamento. Ao exame físico apresentava saída de secreção purulenta pela ferida operatória. Foi então solicitado raio-x de abdome em decúbito e ortostase além de raio-x de tórax e exames laboratoriais e iniciado antibioticoterapia empírica. No dia seguinte apresentou melhora, porém persistência da dor assim como distensão abdominal e sensação de estufamento. Ao exame físico abdome se apresentava distendido, globoso, hipertimpânico, doloroso a palpação profunda, sem sinais de peritonite e a ferida operatória já não apresentava secreção purulenta. Foi solicitada tomografia (TC) de abdome para melhor elucidação do caso. A TC de abdome demonstrava acentuada distensão colônica, ceco com 7 cm, transverso e sigmoide com 8 cm, distensão predominantemente aérea, sem pontos obstrutivos, sigmoide redundante mas sem pinçamento e mínima quantidade de líquido livre na goteira parietocólica esquerda. Por risco de ruptura de sigmoide foi optado por realização de retossigmoidoscopia descompressiva com aspiração de ar e melhora significativa da distensão. Após intervenção associada ao uso de neostigmina endovenosa paciente evoluiu com melhora expressiva do quadro de dor além da distensão que já não apresentava. Após cinco dias de segundo internamento foi optado pela alta do paciente. Após seis dias paciente retornou ao ambulatório de cirurgia proctológica referindo apenas leve dor em local de fistulotomia, mas negou sintomas gastrointestinais. Não apresentou novo quadro de dor abdominal ou distensão. Eliminação de fezes presente sem alterações.

Discussão e Conclusão(ões)

O reconhecimento precoce e inicio do manejo é imprescindível para melhor desfecho clínico do paciente, a fim de evitar complicações. As complicações mais relacionadas a síndrome de Ogilvie são: perfuração, isquemia e necrose intestinal, assim como peritonite. O prognóstico varia de acordo com a doença subjacente e as intervenções realizadas.
O tratamento se baseia em utilização de medicamentos que estimulem a motilidade do cólon. Existem diversos medicamentos que podem ser utilizados, incluindo: eritromicina, cisaprida e metoclopramida ou inibidores da colinesterase, como a neostigmina. Outra opção de tratamento para a Síndrome de Ogilvie é a descompressão colônica endoscópica.
Conclui-se que a abordagem cirúrgica deve ser reservada aos pacientes que a descompressão endoscópica não foi efetiva, ou então apresentem complicações como por exemplo sinais de isquemia do cólon, sepse ou perfuração.

Área

Doenças Anorretais Benignas

Autores

Daniel T K S Almeida, Guilherme S Guzzi, Barbara Bazzano, Murilo Tomiyoshi, Gustavo Kurachi, Doryane M R Lima, Univaldo E Sagae