68º Congresso Brasileiro de Coloproctologia

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Dados do Trabalho


Título

EMPALAMENTO ANAL ACIDENTAL: RELATO DE MANEJO CIRURGICO

Objetivo(s)

O empalamento é uma ferida penetrante ocasionada por objeto incisivo que pode ficar preso no corpo da vítima. O ato de empalar foi muito usado na História, servindo como método de tortura e execução no qual colocava-se uma estaca através de um orifício do corpo, geralmente ânus ou vagina, que atravessasse o corpo do torturado até sua morte. Até o século XVI, quando havia um ferimento penetrante de cólon, a conduta era expectante, logo, a taxa de mortalidade permeava 90%. Até que em 1675, Purman, foi a primeira referência à uma sutura de ferida intestinal. Devido ao surgimento das ostomias a mortalidade reduziu em 30%, associando-se também ao uso de antibioticoterapia. Este relato de caso trata-se de um empalamento acidental em paciente idosa devido à queda de cadeira em banho.

Descrição do caso

Paciente feminina, 73 anos, vítima de empalamento acidental devido à queda de cadeira em banho, trazida pelo SAMU ao serviço de emergência do hospital, estável hemodinamicamente, porém com relato de volumoso sangramento no local do acidente. Paciente portadora de arritmia em uso de Marevan, referindo dor intensa em canal anal. Ao exame físico, canal anal com presença de empalamento por cadeira de metal. Devido a RNI de 3,4 e hemoglobina de 9,9, foi optado por transfusão de plasma, ácido trânexâmico e fitomenadiona, com posterior abordagem cirúrgica e reconstrução do períneo devido laceração de vagina e de esfíncter anal externo, esfincteroplastia e transversostomia em alça, associando-se antibioticoterapia com ciprofloxacino e metronidazol. No intra operatório fora necessário uso de 1600ml de plasma e 2 concentrados de hemácias. Em pós-operatório paciente teve boa evolução, com boa cicatrização de ferida operatória, e do esfíncter anal. A colostomia foi mantida em decisão conjunta à família devido às condições de clínicas da paciente.

Discussão e Conclusão(ões)

O paciente empalado deve ser considerado trauma severo e atendido como tal, buscando-se estabilidade hemodinâmica e depois na avaliação secundária o trauma anorretal deve ser abordado. A Retossigmoidoscopia é considerada padrão ouro para investigação de trauma retal. Assim, em traumas do canal anal, com comprometimento esfincteriano, faz-se colostomia e esfincteroplastia, seguidas de manometria. Sempre deve ser considerada a possibilidade de outros órgãos pélvicos/abdominais terem sido lesionados, pois vítimas de empalamentos geralmente tem múltiplos órgãos viscerais perfurados e a taxa de sobrevida decai progressivamente de acordo com a extensão da lesão. Empalamentos acidentais são condições raras e o prognóstico depende da extensão da lesão, das condições de saúde do paciente, do tempo da intervenção cirúrgica e do uso de antibióticos. Sendo assim, é de suma importância que a avaliação clínico-cirúrgica seja precoce, para que em casos de evoluções desfavoráveis a equipe esteja ciente do caso e pronta para propiciar a melhor abordagem no tempo correto.

Área

Miscelâneas

Autores

Gabriela Baum, Claudia Theis, Murilo Pilatti, Paula Azevedo do Nascimento