68º Congresso Brasileiro de Coloproctologia

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Dados do Trabalho


Título

ASSOCIAÇAO ENTRE RETOCOLITE ULCERATIVA E CARCINOMA ESCAMOSO DE CANAL ANAL- DOIS RELATOS DE CASOS

Objetivo(s)

Apresentar dois casos de pacientes com Carcinoma escamoso (CEC) de canal e Retocolite Ulcerativa (RCU) e alertar sobre a importância do rastreio oncológicos nos pacientes com doença inflamatória intestinal (DII).

Descrição do caso

Primeiro caso consistem em: AAG,48 anos, sexo masculino com diagnóstico de RCU desde 1995, porém jamais realizou tratamento. Chega ao nosso serviço em abril de 2019 apresentando quadro de emagrecimento, enterorragia, distensão abdominal e parada de eliminação de flatos e fezes. Ao exame físico emagrecido, abatido e abdome globoso, doloroso difusamente a palpação, distendido. Ao toque retal: lesão estenosante, intransponível ao toque localizada na linha pectínea se estendendo para margem anal. Internado para desvio do trânsito intestinal e realização de exames de estadiamento que evidenciavam lesões suspeitas em topografia pulmonar e coluna lombar, além de macrobiópsia anal que evidencia CEC de canal anal. Sendo encaminhada ao serviço de oncologia e iniciado tratamento com radioterapia e quimioterapia.
E segundo caso em: SCA, 59 anos, sexo feminino, com diagnóstico de RCU grave desde 2014 em uso de adalimumabe e azatioprina. Em 2017, em exame colonoscópico de acompanhamento foi evidenciado lesão em linha pectínea cujo resultado da biópsia mostra CEC. Foi suspensa a terapia biológica e iniciado tratamento com radioterapia e quimioterapia neoadjuvante com proposta de cirúrgica após término. Entretanto, paciente não aceitou tratamento operatório devido as possibilidades cirúrgicas envolver ostomia, apesar de inúmeras explicações sobre os riscos com essa conduta.

Discussão e Conclusão(ões)

O CEC canal anal é entidade rara na população comum. Está intimamente relacionado ao papiloma vírus humano (HPV), especialmente os sorotipos 16 e 18. A associação com RCU é ainda mais incomum. De acordo com Slesser et al em uma revisão sistemática existem poucos relatos na literatura sobre associação de CEC anais e RCU, porém a incidência dessa doença seria a mesma que a população em geral. Segundo Craston et al. haveria uma relação entre a imunossupressão provocada pelo tratamento dos casos mais graves, a inflamação crônica da mucosa anal e o fato do paciente já apresentar infecção HPV prévia. Diante disso, seria importante destacar o rastreio do vírus em pacientes com DII em uso de imunomoduladores ou terapia biológica, inclusive em exames ginecológicos regulares. Vale ressaltar a importância do acompanhamento clínico e realização de colonoscopia regulares tanto para avaliar atividade de doença quanto detectar precocemente lesões precursoras. No primeiro caso, a falta de seguimento pelo paciente culminou com descoberta do tumor em estágios avançados onde as taxas de cura são mínimas, além disso, tratamento cirúrgico fica limitado. O viés do segundo caso consiste na negação por parte da paciente sobre a confecção de uma ostomia. Contudo, considerando lesão sob a linha pectínea, acaba sendo crucial a sua confecção como forma de proteção de anastomose ultrabaixa.

Área

Doenças malignas e pré-malignas dos cólons, reto e ânus

Autores

Camila Pereira Oliveira, Pedro Ivo Calegari, Beatriz Inacio Silva, Ayr Nasser , Helio Moreira , José Paulo Teixeira Moreira, Paula Chrystina Caetano Almeida Leite, Malu Aleoany Dantas Sarmento